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Blogging: oferecer feed completo x resumo dos posts?

O feed completo é um conforto para o visitante. Mas para o site e o autor, nem tanto.
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Os feeds RSS são uma forma de oferecer atualizações de seu blog aos leitores assinantes. É uma ferramenta que praticamente todo mundo conhece, seja como leitor ou fornecedor. Porém, uma questão controversa é sobre quanto de informação deve-se entregar. Devemos oferecer feed completo? Ou apenas o resumo dos posts?

A opinião dominante diz que feeds com resumos são uma “falta de educação” e “consideração”, “egoísmo”, e muitas outras coisas feias do dono do blog em relação aos assinantes. Afinal, se ele assinou, é porque gostou e quer continuar lendo o que você posta — e a maior parte dos blogueiros não se importando em dar o conteúdo completo no feed.

Por outro lado, uma parcela menor entrega só o resumo. O argumento mais forte é que conteúdos completos afastam o leitor de seu endereço.

Mas que diferença faz se eu leio no feed ou no site de origem?” Perda nas suas campanhas de marketing. Imagine que você paga para ter um anúncio num outdoor na Rua X, e de repente a prefeitura fecha a via e desvia o tráfego para a Rua Y. Ninguém vê o outdoor mais. Leitores de feed são como o tráfego desviado para a Rua Y: chegam ao destino, mas por outra rota que você mesmo ofereceu.

Outras desvantagens: área de comentários ignorada, funcionalidades do template são inutilizadas, ladrões de conteúdo automáticos que leem feeds

Há uma briga de interesse: de um lado o dono do blog, querendo visitantes com o resumo, para assim aumentar seus ganhos com afiliados. De outro o visitante, querendo recebendo o conteúdo confortavelmente em seu e-mail ou agregador.

Feed com resumos

Apesar dessa intolerância pública com resumos, vários tipos de site e blog trabalham assim. Portais de notícia, que atualizam várias vezes por dia, não colocam artigos na íntegra no feed, que funciona como a capa de um jornal ou revista. Fora que as manchetes do feed são frequentemente puxadas por aplicativos em que muito conteúdo atrapalha, como em portáteis, widgets e afins.

Em blogs convencionais, com poucas atualizações diárias, oferecer resumos parece um erro, se não de princípio, certamente de oportunidade. A maior parte dos assinantes simplesmente não tolera assinar o feed e receber resumos. Ao não ser que seu resumo seja muito bem redigido e atraente, poucos se darão ao trabalho de seguir o link para o post completo. Alguns por ser impraticável, outros por birra mesmo.

O leitor não quer se dar ao trabalho de visitar seu site. Entregar o feed completo é um conforto para ele. Imagem: Maria Luisa Gutiererrez/FreeImages

Duras verdades

Ao assinar o feed, boa parte dos leitores não pensa muito se você gastou um monte com um template lindo, ou passou quinhentas horas criando aquilo tudo. Eles querem gratuidade (ou pagar menos pelo máximo) e conforto. Ao entrar nessa de produzir conteúdo online, esteja preparado para a realidade: tudo que fizer será em prol do visitante. Contrariá-los significa perda imediata de um leitor que, mesmo ausente, pode indicar seu trabalho a outros visitantes que façam tudo isso.

No fim das contas, mesmo que só tirem proveito de seu trabalho, acabam sendo involuntariamente um nó na sua rede de divulgação.

Se não acredita na intolerância dos leitores quanto aos feeds com resumos, leia neste artigo do Techbits a coleção de frases sobre o tema. O ranço é tamanho que alguns preferem usar ferramentas de obtenção do texto completo do que dar 1 único clique no link do feed para ler o artigo completo.

Pra ser mais claro, não interessa se você concorda: se usar resumo no feed, será considerado por parte dos assinantes um crápula-egoísta-capitalista. Assinantes de feed que exigem conteúdo completo não voltarão. Então, entre perder o leitor definitivamente, ou mantê-lo cativo via feed, qual sua opção?

Post completo

Fiz testes em diferentes sites, com feeds completos em um, e resumidos no outros. Enquanto o número de leitores no Twitter e Facebook só crescia, o do feed resumido continuava engasgado — ficava semanas estagnado, muitos cancelavam a assinatura, e o retorno em cliques, mesmo caprichando nos resumos, era ridículo.

Daí a conclusão: resumos não ajudavam a trazer visitantes, e sim me fazia perder leitores, que insatisfeitos, cancelavam a inscrição sem clicar nos links para posts completos. Verdade que depois de ser o artigo completo, nem sempre aquele visitante retorna tão cedo ao seu blog. Mas ainda assim pode divulgá-lo em redes sociais, gerando novas visitas e fechando o círculo em torno de sua marca.

Além disso, há formas de monetizar o feed, como uso do Adsense para feeds, inclusão de outros anúncios pagos e campanhas e marketing. É possível sim achar um meio termo entre o interesse do leitor e o seu, produtor de conteúdo.

Atualização: o AdSense para feeds foi descontinuado.

Por outro lado, o feed completo torna a discussão — característica vital dos blogs — mais pobre. Sua área de comentários fica lá às moscas, sobrando a “função” para visitantes casuais e os realmente interessados em opinar. E a maior parte dos blogs tem opções de compartilhamento mais completas que no feed, entre outras melhorias que não serão aproveitadas.

Cada leitor — inclusive os de feed — é um ponto na rede de construção da sua marca. Imagem: ilker/Free Images

Copiadores de conteúdo com ferramentas automáticas também duplicam seu feed completo com mais facilidade. Pode-se usar algum recurso como a inserção de notas de copyright no rodapé de todas as entradas do feed, mas não é solução.

Campanhas e o que considerar

Em meados de 2006 houve uma campanha iniciada neste artigo, pela disponibilização de feeds completos. Outras sugeriram que você faça o que quiser, afinal, o blog é seu a decisão idem (e também dos leitores aceitar isso ou não). E por fim, a sugestão de oferecer dois feeds: um completo e um resumido.

Seja qual for sua opinião como dono do blog, é essencial perguntar-se: você produz conteúdo pra quem? Para o leitor ou pra você? Se a resposta for a segunda, coloque posts resumidos à vontade, e quem quiser que se adapte.

Mas como a maioria escreve para o leitor (sem demagogia: ou é assim ou não funciona), não faz sentido remar contra a maré. Se não aceitam visitar o site, que sejam mantidos como leitores do feed, pelo menos.

Author

Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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