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Será que a Adobe acertou com o “aluguel de software” no Photoshop CC?

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Com sua versão mais recente, o Photoshop entrou no que a Adobe chama de “nuvem criativa”: passou a ser distribuído em “cloud” com acesso cobrado por valores regulares. Se por um lado isso pode trazer novos usuários, exatamente aqueles que não tinham como pagar o altíssimo preço da suíte vendida antes, também causou grande aversão em outros, como tenho observado em fóruns no Brasil e exterior.

A versão tem suas novidades técnicas, como já cobrimos antes, mas o formato escolhido para oferecer o programa foi visto mais como uma tentativa – sem sucesso – de impedir a pirataria que avança sobre o Photoshop a cada lançamento. Foram menos de 24 horas até que a primeira “alternativa” surgisse nos torrents – é bem verdade que sem acesso às ferramentas online como armazenamento e compartilhamento social, mas com todo o resto.

Teria então a Adobe falhado miseravelmente na empreitada?

Se a intenção for exclusivamente evitar a pirataria, parece que por enquanto sim. Segundo o chefe de desenvolvimento da Adobe, David Wadhwani, com o formato atual a empresa acredita que os usuários verão que a facilidade de uso compensa frente às complicações e riscos de instalações piratas, e isso pode ampliar a popularidade. O preço seria um atrativo para que em vez de baixar cracks, ele tenha acesso ao original pelo tempo que precisar e quando não precisar, é só deixar de pagar.

Outra grande vantagem da “CC” é a promessa de atualizações frequentes, que serão rapidamente aproveitadas pelo usuário sem necessidade de novas aquisições e instalações complicadas, coisa que definitivamente não é reproduzida pela cópia ilegal.

Photoshop CC pirateado
Photoshop CC pirateado em menos de 24 horas: se a nuvem era pra evitar isso, não resolveu.

Mas nem todo mundo concorda que o pagamento mensal seja uma boa, nem como forma de combater a pirataria ou tornar o Photoshop mais acessível. Se até o pacote CS6 pagava-se um valor fixo na compra e podia-se fazer uso vitalício (teoricamente, enquanto houver um sistema compatível), agora não há mais esse prazo; é o mesmo problema de quem paga aluguel: usa o imóvel mas nunca será “dono” dele. O que é mais vantajoso: pagar uma grande soma por sua casa própria ou pagar o resto da vida para usar uma?

Alguns afirmam que só vai aumentar os lucros da Adobe às custas de pequenos usuários, como freelancers e consumidores médios, enquanto grandes corporações terão pacotes especiais pois podem pagar por muitos anos de uso. Pra piorar, a Adobe não deu opção: ou paga a taxa por uso temporário ou mude de software. Voltando ao exemplo dos imóveis, é como impedir que você compre sua casa, mesmo tendo o dinheiro e estando disposto a pagar.

Por essas e outras, tem até petição online pelo fim da Creative Cloud, como essa com quase 40 mil assinaturas. Será que obrigar o usuário a alugar o Photoshop, num momento em que os softwares livres melhoram cada vez mais e a pirataria sempre descobre um jeito, não foi um tiro no pé?

Ainda é cedo para determinar o impacto do CC. A nuvem pode não ser a solução definitiva, mas de qualquer forma os serviços adicionais vão melhorar e não podem ser alcançados pelos piratas. Por ora a conveniência é a única estrutura que mantêm a pirataria de pé, mas se novas ferramentas exclusivas e cruciais forem disponibilizadas aos assinantes na nuvem, é provável que em breve você tenha duas opções: pagar ou desistir do Photoshop.

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Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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