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O que vai mudar com o Flickr adquirido pela SmugMug

Segundo a nova controladora do clássico serviço, nada. Mas apesar das semelhanças, eles têm algumas diferenças importantes.
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Após 13 anos, o Flickr vai mudar de mãos mais uma vez. Depois de ser adquirido pela Yahoo em 2005 por um valor entre 15 e 35 milhões de dólares, o um dia popularíssimo site de fotografias agora será controlado pela SmugMug.

Com a alteração, o Flickr já não exibe mais a marca Yahoo, e usuários começaram a receber notificações. Quem aceitar a mudança não precisa fazer nada: o conteúdo será transferido “em breve” para os servidores da nova dona. Quando acontecer, seu conteúdo passa a ser regido pelas regras da SmugMug. Caso não concorde, trate de fazer backup do que tem e encerre sua conta Flickr antes do dia 25/05/18.

O que vai mudar?

A SmugMug é uma empresa veterana. Está por aí desde 2002, quando o Flickr ainda estava sendo criado pelos fundadores, o casal Stewart Butterfield e Caterina Fake, através de sua empresa, a Ludicorp.

Num tempo de redes sociais engatinhando como Orkut e MSN, o Flickr despontou como uma bela opção. O foco estava totalmente nas fotografias. Virou uma espécie de serviço obrigatório para fotógrafos de qualquer nível. Quem nunca teve, ou ainda tem, um portfólio lá?

Mas com a ascensão de telefones com câmeras, fotografar virou algo trivial. Serviços voltados a esse público pipocaram, e logo o Flickr estava cercado por inúmeras opções. Perder terreno foi inevitável. Entre 2008 e 2010, o número de funcionários vinha caindo, como parte de mudanças internas do Yahoo.

A SmugMug quer trazer de volta os “bons tempos” do Flickr. O CEO da companhia, Don MacAskill, disse que o serviço continuará como comunidade independente para fotógrafos amadores e profissionais, mas finalmente “receberá o foco e recursos que precisa e merece”. A informação é confirmada no FAQ da operação.

O que os quase 75 milhões de usuários devem se perguntar é como serão implementadas melhorias, já que o SmugMug é baseado em serviços pagos. Já o Flickr sempre contou com planos gratuitos para quem não precisa de muitos recursos.

Especula-se que essa melhoria só virá se usuários Pro forem mantidos, e novos convencidos a escolher planos pagos. A SmugMug garante que nada muda “num futuro próximo”, exceto a estrutura sendo movida para sua base tecnológica. Com isso, a ideia é que a qualidade do serviço evolua, sem alterar mais nada: login, contas, acesso, conteúdo, etc.

A SmugMug também garante que contas grátis continuarão existindo, por serem “parte fundamental da comunidade [do Flickr] e influente na aproximação de fotógrafos”.

O que pensar?

A SmugMug discursa que adquiriu o Flickr pela “oportunidade de controlar duas comunidades e negócios que compartilham valores”. Que investirá em ambas e as manterá em ambientes isolados. E que apesar de ser baseada em planos pagos, isso não será padrão no outro lado.

Será que o Flickr receberá a atenção que merece, ou vira plataforma de marketing cruzado para o SmugMug?

É melhor uma empresa focada em fotografia controlando o Flickr. Yahoo/Verizon tinham foco em anúncio e múltiplos serviços. Sendo menor, o grupo SmugMug nos faz imaginar um interesse mais autêntico em fazer do Flickr aquilo que fotógrafos esperam. Entederão melhor seu público.

Por outro, há uma conclusão perigosamente óbvia: o SmugMug tentará levar usuários grátis a migrar para planos pagos do Flickr, ou para o próprio SmugMug. Esse é o modelo de negócio deles, e por mais que sejam apaixonados por fotografia como dizem, não existe almoço grátis.

E quem não quiser? Prepare-se no mínimo para ver mais anúncios, e talvez (suposição mais pessimista) aceitar termos de uso “permissivos” quanto aos seus dados. Será que vão de fato valorizar o Flickr, ou usá-lo como plataforma de marketing cruzado? Uma base de 75 milhões de usuários significa uma enormidade de potenciais clientes.

Outra preocupação é com a qualidade. Há tempos o Flickr vem sendo um dos “últimos refúgios” de fotógrafos profissionais ou amadores com aspirações. Outros serviços atenderam o público da foto casual cheia de filtros ou não, mas o Flickr seguiu lá em sua “integridade”. Sua eventual morte ou transformação profunda pode representar o fim desse abrigo clássico, que aos trancos e barrancos testemunhou grandes mudanças na internet.

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Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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