SEO e Segurança

Porque e como usar (ou não) o atributo nofollow

O nofollow é uma indicação de que o link não deve passar relevância ao alvo para motores de busca.
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O nofollow é um valor do atributo rel, da linguagem HTML. Quando usada em um link, ele modifica sua importância para ferramentas de busca, como o Google, Yahoo, Bing e Ask.

Desenvolvido em 2005, devido ao crescente abuso de links para manipular o resultado das pesquisas, ainda é alvo de controvérsia. Embora seja fundamental sua aplicação em certas condições, se mal empregado, torna os sites e blogs “ilhados”, não fornecendo influência alguma na relevância de endereços apontados.

Não entendi bulhufas

Veja que simples: sites têm determinada reputação (como o PageRank) para os motores de busca. O Facebook é muito melhor ranqueado do que o Tutoriart, que é melhor ranqueado do que um site criado agora.

Essa reputação é baseada em vários fatores, principalmente a qualidade dos conteúdos. Boa reputação leva o site a ter mais visitas e, por consequência, receber mais links em sua direção. Com isso, sempre que o Google é usado para uma pesquisa, sites mais bem cotados aparecerão primeiro nos resultados.

Pense nos sites como pessoas. Se ela é influente, diz coisas legais que a sociedade gosta, muitos falam dela; sua reputação aumenta. De modo similar, se sua “pessoa-site” mente, fala bobagens, repete o que os outros falam e tem um péssimo comportamento, o que ele diz não será levado a sério. Logo, ninguém falará dele.

Link juice

Mantendo a analogia: quando uma pessoa (ou um site) de melhor reputação aponta um link para alguém, é como se desse um voto de confiança para ela. O que recebeu o link torna-se um pouquinho mais importante na classificação da busca. É como se o João-Influente dissesse “Ei, a Maria ali tem algo a dizer, falem com ela”.

Porém, quanto mais links houver na página, menor a reputação passada em cada um. É o chamado link juice: a importância (PageRank) do site é dividida entre os links, sejam internos ou externos. Quanto mais existirem, menor a importância dada por cada um ao seu alvo.

Exemplo simples de link juice
Exemplo simples de link juice

Note que a relevância é divida pelo número de links na página. No exemplo do Blog C, tendo 6 de PageRank, passa 2 em cada um dos três links, incluindo o interno. Isto não quer dizer que o Blog A (PR 10) aumenta imediatamente o PR do Blog B em 2 pontos com um único link: o cálculo é mais complexo. É só uma demonstração de como a quantidade de links reduz a relevância deles quando se acumulam.

Não se deve criar um link com intuito de “subir a reputação” do receptor, e sim citá-lo por sua importância. Além disso, há páginas que, mesmo tendo importância na estrutura do site, não têm muita na pesquisa. Quase ninguém busca pela página de contato ou termos de uso de um site no Google, e sim pelas publicações dele.

Aproveitando-se do fato de, ao receber um link, o site ganhar este voto e um pouco do PageRank, criaram-se técnicas como as link farms, ou fazendas de links. São vários sites colocavam várias dezenas de link apontando entre si. Note que é considerada uma prática de black hat SEO, ou seja, manipular as pesquisas de forma ilegal.

E o nofollow, onde entra?

“Shall not follow!”

Para resolver isso, surgiu o nofollow (literalmente, nãoseguir), que é muito simples de usar. No código de suas páginas, a estrutura de um link simples é:

<a href="url" title="titulo do link">Texto âncora</a>

Basta adicionar o atributo rel=”nofollow”. Fica assim:

<a rel="nofollow" href="url" title="titulo do link">Texto âncora</a>

Isso torna o link “morto” quanto à passagem de PageRank para o alvo, mas ainda será funcional e útil para o visitante — o que se espera de um link.

Muitos aproveitaram-se disso para aumentar a relevância de alguns links, com o chamado “link sculpting“: os considerados “menos importantes” levavam nofollow, deixando todo o link juice para os restantes, apontando para lugares estratégicos. Assim, se em uma página PageRank 10, cinco links comuns passariam 2 para cada link, com o nofollow em quatro links, os 10 pontos disponíveis eram passados (teoricamente falando) a um único link.

Link juice 2 - nofollow deixando tudo para os links follow

Para evitar isso, o Google mudou na atualização “Caffeine” de seu sistema de indexação, em 2010. O link juice que não ia para os links nofollow passou a não ser mais distribuído entre os restantes. Ou seja, naquela página com PageRank 10, e dois links, um com nofollow e um follow, o nofollow recebe zero do juice, e o único follow recebe só 50% (porque o juice continua sendo rateado entre todos os links, mesmo sem passar).

Link juice 3 - método atual

A estratégia de link sculpting acabou, e o nofollow voltou a servir apenas para não passar relevância pelo link em que é usado. Se entender inglês, pode ler sobre isso no blog de Matt Cutts, no artigo Pagerank Sculpting.

Onde usar nofollow

  • Links que não façam parte do contexto de uma página.
  • Links de anunciantes. Isso inclui parceiros por troca de links, links vendidos, de anunciantes, de artigos patrocinados… Qualquer link que esteja ali só pra te dar alguma vantagem financeira ou em visitas. Os links devem existir naturalmente para ajudar o leitor, não incrementar o PageRank. Simples assim.
  • Página que só tem relevância na estrutura do seu site, e não seriam de grande interesse para alguém usando a pesquisa. Exemplos: páginas Sobre, Contato, Termos de Uso, Políticas de Privacidade, etc.

Controvérsia

Há plugins que definem automaticamente todos os links externos como nofollow. Há quem defenda essa estratégia, já que grandes sites como a Wikipédia a adotaramo. Não gosto e acredito que seja prejudicial. O motor do Google não leva em consideração apenas PageRank e links para definir a relevância dos sites, e sim uma grande quantidade de informações processadas, incluindo links de qualidade.

Além disso, a internet foi feita para compartilhar informação, e não criar ilhas. A Wikipédia, por exemplo, vive de conteúdo criado a partir de referências. Quando adotou o nofollow, foi como dizer que nenhum merece sua grande dose de link juice.

Segundo o mesmo artigo no blog de Matt Cutts citado antes:

In the same way that Google trusts sites less when they link to spammy sites or bad neighborhoods, parts of our system encourage links to good sites.

Traduzindo:

Do mesmo jeito que o Google confia menos em sites com links de spam ou para más vizinhanças, parte do nosso sistema encoraja links para bons sites.

Em links internos, use nofollow apenas se a página de destino não tem tanta relevância. MESMO ASSIM, Cutts adverte que “não será tão prejudicial” se mesmo esses links estiverem em follow.

De forma geral, não é recomendado usar nofollow na links internos. O PageRank deve fluir naturalmente dentro de seu site ou blog, e ao usar nofollow em todo lugar, a relevância destas páginas acaba ficando represada.

Para quem entende um pouco de inglês, fica aí o vídeo:

Lembre-se do mais importante para ter tráfego: escreva posts de qualidade, e link somente aquilo que for importante e interessante para seus visitantes. Táticas mirabolantes podem funcionar por um tempo, mas a cada atualização dos buscadores, o risco de ter seu site penalizado aumenta.

Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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