Ideias

Fantasy Art: conceito e trabalhos de grandes artistas do gênero

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr
Anúncios Google

Fantasy art é um gênero que apresenta temas sobrenaturais ou mágicos através de cenários e personagens. Às vezes envolve frações de sci-fi, horror, steampunk (ficção ambientada no passado, com inventos futuristas movidos a vapor) e outros tipos de ficção, mas sempre com elementos únicos não encontrados nos demais, não podendo ser classificado entre eles. Criaturas originais ou de mitologias como dragões, magos, fadas e elfos são corriqueiros, mas cenários e itens atuais também aparecem, desde que no contexto fantástico, envolvendo deuses, espíritos, elementais, etc.

Por sua natureza intimamente ligada à literatura de fantasia, fantasy art costuma ser a base criativa para card games, RPGs e videogames, o que torna seus artistas populares entre o público jovem. A maioria dos ilustradores profissionais estão nesses segmentos. Apesar da técnica e criatividade necessários para gerar tais universos, há preconceito de parte dos eruditos; fantasy art raramente é visto como parte das “fine arts“, mas uma subdivisão do Fantastic Art – que apesar de elementos fantásticos, não é necessariamente a ilustração de mitos; não se vê com frequência obras de fantasy art nas maiores galerias, mas em exposições próprias; não é alvo de estudos em escolas tradicionais, etc.

Algumas obras “canônicas”, particularmente surrealistas ou pré-rafaelitas, têm pontos em comum com fantasy art. “Le Château des Pyrénées” de Rene Magritte (um castelo “aéreo” simbolizando seu isolamento em relação às mudanças ao redor), e “The Lady of Shalott” de John William Waterhouse (com uma mulher amaldiçoada), seriam aceitas como fantasy art se pintadas hoje por um autor que as identificasse como tal. Certos artistas modernos de fantasia preferem rótulos como Art Nouveau e outros aceitos como fine art para seus trabalhos, buscando reconhecimento de instituições acadêmicas, mesmo que pintem fadas e dragões. Michael Finucane, por exemplo, define a si mesmo como “artista mítico” e seu estilo como “Neo-Medieval” em vez de usar a terminologia fantasy art.

O cinema costuma valer-se do talento dos ilustradores de fantasy art em produções como O Senhor dos Anéis, Beowulf e Guerra nas Estrelas – esse um bom exemplo da mescla de fantasia com sci-fi citada no começo.

Conheça alguns grandes nomes do fantasy art. Procurei misturar a elite com alguns menos conhecidos. Destaque para o considerado por muitos “O” nome do gênero, Frank Frazetta.

Roberto Campus

Site e portfólio

Italiano que vive nos Estados Unidos, Campus ilustra desde os 15 anos para algumas das maiores editoras norte-americanas, como Lucas Arts, Marvel, DC e Penguin Books, além de empresas de videogames, card games e editoras de livros de arte. Suas obras variam do estilo anime ao realista.

O site de Campus oferece também alguns tutoriais para Photoshop, uma de suas ferramentas principais. Você pode conferir um desses tutoriais traduzido aqui no Tutoriart (Pintura digital com o mouse). A arte “Little One” (segunda abaixo) foi usada como capa do álbum Luxaeterna, da banda brasileira Aquaria.

Roberto Campus  - GIJoe

Roberto Campus - Little One

Roberto Campus  - Wonder Woman

Luis Royo

Site e portfólio

Esse artista espanhol é um dos grandes nomes do gênero fantasy art. Começou estudando pintura, decoração e desenho, mas nos anos 70 passou a dedicar-se muito mais à pintura, com várias publicações nas décadas seguintes. Tornaria-se conhecido pelas artes obscuras que misturam sensualidade, formas mecânicas e cibernéticas, e ambientes apocalípticos.

Seus trabalhos estão espalhados entre card games, livros de arte, calendários, portfólios online e muitas outras mídias. Sua marca principal são as belas mulheres em contextos bastante provocativos, erotizados, misturando humanos e seres bizarros como demônios, ciborgues e monstros diversos, como na série Prohibited Books (Livros Proibidos).

Várias ilustrações de Royo tem nus frontais, sexo sugerido e até orgias entre criaturas, incluindo esboços bem hardcore, sendo totalmente NSFW e por isso não posso mostrá-las aqui, mas dê uma pesquisada que você vai sacar. Fique com algumas bem “light”.

Luis Royo - Fogs Kiss

Luis Royo - Conan the Swordsman

Luis Royo - New III Millenium

Luis Royo - Ring of Destiny

Luis Royo - The Enchantment

Boris Vallejo e Julie Bell

Site e portfólio

boris vallejo e julie bellPeruano radicado nos Estados Unidos, estudou na Escola Nacional de Belas Artes do Peru. Seu estilo de fantasy art é visivelmente clássico, bastante influenciado pelas raízes de sua formação erudita. Os personagens são fortes e sensuais, realistas, tanto homens quanto mulheres, característica também marcante no trabalho da esposa, Julie Bell. Ilustrou para revistas, cinema (Rambo III, Barbarian Queen), jogos, capas de disco (The Ultimate Sin, de Ozzy Osbourne), etc.

Julie, conhecida artista de super-heróis, foi a primeira mulher a ilustrar para a série “Conan”, da Marvel. Seu estilo é bem realista, e como ex-fisiculturista, mostra seu gosto por músculos com guerreiros e amazonas fortes. Já trabalhou com algumas das maiores marcas como Nike, Coca-Cola e ilustrou capas de álbuns (Meat Loaf em Hang Cool Teddy Bear) e games (Eternal Champions, da Sega).

O casal tem um estúdio na Pensilvânia. Vale curtir também a página deles no Facebook, sempre atualizada com o que andam fazendo e milhares de imagens para apreciação.

Boris Vallejo e Julie Bell - Jeannie's Kitten

Boris Vallejo - Anath Slays the Warrior

Boris Vallejo - Fawal and Gree the Unquotable

Julie Bell - The Image of the Gods

John Howe

Site e portfólio

Canadense, estudou na Ecoles des Arts Découratifs de Strasbourg (França). Vive na Suíça, onde começou trabalhando como freelancer. Seus trabalhos mais conhecidos são inspirados na série literária O Senhor dos Anéis, tendo sido ele o ilustrador dos mapas em O Senhor dos Anéis, O Hobbit e O Silmarillion, entre 1996 e 1999. Foi um dos chefes conceituais na trilogia do cinema para os livros de J.R.R. Tolkien.

Seu trabalho é bem amplo dentro do gênero de fantasia e mítica, sendo especialista em temas ligados à  mitologia (como Beowulf, da mitologia anglo-saxã), de card games (Magic: the Gathering) e foi contribuidor na adaptação para o cinema de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S. Lewis.

John Howe - An Unexpected Party

John Howe - Orcs

John Howe - The Ravens

Dan Frazier

Site e portfólio

Graduado na Universidade do Colorado em 1969, Frazier começou sua carreira de ilustrador trabalhando para a indústria de games em 1990, quando passou a se dedicar à arte em tempo integral – antes, além de ilustrar, sua atividade principal era lecionar arte em escolas públicas, o que exerceu durante 20 anos. Ele tem mesmo cara de professor, não tem?

Mas o sucesso artístico veio a partir de suas artes para a Wizards of the Coast, mais especialmente para o card game Magic: the Gathering, que virou um sucesso mundial (é autor da arte de algumas das cartas mais clássicas do jogo, como o set original de Moxes e o Jester’s Cap), ajudando-o a fixar seu nome como um dos grandes na fantasy art e abrindo portas de diversas companhias como a TSR, Iron Crown e AEG.

Seu estilo é fiel aos grandes mestres, como Rembrandt, um de seus favoritos. Dedica-se atualmente às Belas Artes, principalmente à pintura de paisagens.

Dan Frazier - Halls of Avarice

Dan Frazier - Small Yellow Jester

John Avon

Site e portfólio

Galês nascido em 1961, estudou na Cardiff Art College, com graduação em design gráfico na Brighton Polytechnic. Começou a carreira com capas de livros de horror, crime e romances, passando para publicidade, até chegar aos card games, onde encontrou realmente a satisfação profissional, ilustrando temas ligados à fantasy art; este tornou-se seu principal foco nos anos seguintes.

Dedica-se principalmente aos gêneros fantasy art e ficção científica; já ilustrou livros para autores como Stephen King, Arthur C. Clarke, entre outros. Ilustrou também para a indústria de games e brinquedos, capas de CD, etc

O site de Avon é rico, com muitas imagens, biografia completa e histórias de suas viagens profissionais. É casado com a também ilustradora Patricia McCarthy.

John Avon - Water Elemental

John Avon - Forest

John Avon - Island

Martin McKenna

Site e portfólio

Ilustrador inglês, começou nos gêneros fantasia e horror nos anos 80, logo passando a trabalhar para empresas de jogos e editoras. Autor de capas de inúmeros livros de arte, incluindo Fighting Fantasy e cards do jogo Magic: the Gathering. Lançou também seus próprios livros de arte digital, como Digital Fantasy Painting Workshop e Digital Horror Art.

Trabalhou também com o mercado de games, incluindo dois anos como funcionário em tempo integral da Eidos, além de projetos para cinema e TV. Mais recentemente publicou um livro de arte para crianças intitulado “The Gift”, e tem projetos com mais artbooks e capas de disco.

Em seus dois sites (a versão antiga continua no ar), você vai encontrar belas imagens do portfólio de McKenna.

Martin McKenna - King's Adviser

Martin McKeena - Bloodbones

Martin McKeena - The Tank

Mark Gibbbons

Site e portfólio

O britânico Mark Gibbons conta em sua biografia que abandonou a escola de artes pouco depois de começar, querendo tocar em uma banda de rock – decisão não muito compatível com a carreira que escolheria no futuro. Fã de games, por muito tempo ilustrou sob influência deles, através de workshops em Cardiff, antes do lançamento do PlayStation original.

Após um período inicial como freelancer da Eidos, foi artista conceitual da Sony em Cambridge, contribuindo para alguns dos primeiros títulos do estúdio para o PlayStation 2, como Primal. Logo se tornaria chefe de criação, desenvolvendo não apenas artes, mas diálogos de personagens e dirigindo sessões de motion capture.

Após quatro anos na Sony, Gibbons mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a ocupar um posto no primeiro escalão da Blizzard Entertainment.

Mark Gibbons - Volcanoth

Mark Gibbons - Dune Devil

Mark Gibbons - Hammersmith

Rowena Morrill

Site e portfólio

Rowena MorrillA americana, mais conhecida apenas como Rowena, estudou na Tyler School of Art, mas abandonou o curso e começou a trabalhar numa agência de publicidade em Nova York. Quando apresentou seu portfólio a Ace Book, teve sua primeira capa de livro com Isobel, de Jane Parkhurst, em 1977. Continuou produzindo muitas capas de terror, e mais tarde voltou seu foco para a ficção científica e a fantasy art.

Suas artes aparecem em centenas de livros, portfólios, calendários, revistas e cards. Foi nomeada cinco vezes ao Hugo Award: uma vez por seu livro The Fantastic Art of Rowena Morril, e outras quatro concorrendo como melhor artista. Ganhou em 1984 o British Fantasy Award.

Rowena Morrill - Flame Goddess

Rowena Morrill - Ghosts I Have Been

Rowena Morrill - Opus 200

Rowena Morrill - Crimson Demon

Frank Frazetta

Site e portfólio

Frank Frazetta com a pintura Death Dealer V, de 1989Desde pequeno Frazetta (1928-2010) demonstrou talento nas artes, causando espanto em professores e colegas de escola. Estudou na pequena Brooklyn Academy of Fine Arts, como aluno do pintor italiano Michele Falanga. Este pretendia levá-lo para estudar arte clássica na europa, mas morreu subitamente em 1944, o que causou o fechamento da escola. Frazetta foi então trabalhar ilustrando comics.

Tornou-se conceituado, abrangendo gêneros que iam de western a fantasia e mistério. Recusou convites de grandes estúdios, incluindo Walt Disney, e passou um período como assistente de Dan Barry nas tiras de Flash Gordon. Ilustrando cartazes para o cinema nos anos 60, e continuou nos livros de bolso, capas de revistas e livros. Praticamente definiu o visual do gênero “Espada e Magia” ilustrando Conan e servindo de referência para gerações de artistas. Chegou ao cinema na década de 80 criando quase todo o texto e vários personagens da animação Fire and Ice.

Suas artes apareceram também em capas de discos: The Sea Witch (1967), no álbum de estreia da banda Wolfmother; Death Dealer I (1973), na estreia do Molly Hatchet (1973); The Brain (1967), no álbum Expect No Mercy da banda Nazareth, entre outros. Algumas têm alcançado valores típicos de “fine art”, especialmente após sua morte em 2010. “Conan the Destroyer”, óleo sobre tela de 1971, foi vendido em 2010 por 1.5 milhão de dólares.

Muitos nomes de comics, games e animação foram influenciados por Frazetta, entre eles Yusuke Nakano (arte na série Zelda, da Nintendo) e Roger Sweet (criador da série He-Man). Guillermo del Toro, ator e diretor dos filmes Hellboy, define Frazetta como “o artista que definiu fantasy art no século XX“.

Frank Frazetta - Seven Romans

Frank Frazetta - Silver Warrior

Frank Frazetta - Indomitable

Frank Frazetta - Down Attack

Frank Frazetta - Death Dealer I

Frank Frazetta - Dark Kingdom

Frank Frazetta - Conan The Destroyer

Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

Write A Comment

Pin