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Como gravar e renderizar vídeo em 60 fps no Camtasia (e outros)

Apesar de não ter suporte nativo, o Camtasia pode renderizar vídeos a 60 fps usando codecs de terceiros.
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Atualização: os desenvolvedores do Camtasia removeram o suporte ao formato .mov a partir da versão 9, porque a Apple descontinuou o QuickTime para Windows. Logo, o método apresentado aqui só funciona até o Camtasia 8, e mesmo assim, se você tiver os programas e codecs necessários instalados (o que pode representar um risco de segurança). Use por sua conta e risco.

Em 2014, o YouTube passou a suportar vídeos em 60 fps (frames por segundo). Com a modernização de câmeras, mesmo as de smartphones e portáteis passaram a gravar nessa taxa de frames e até mais que isso.

Pra quem não sabe, uma taxa de frames mais alta melhora a fluidez e nitidez dos movimentos na animação. No caso de games, tem outras vantagens como qualidade de partículas, luzes e sombras. Para entender, lembre-se de como eram feitas animações clássicas, como as da Disney. Uma equipe de desenhistas se dividia na ilustração de “etapas” de cada desenho animado, os frames. Depois, exibidos em sequência rápida (o convencional no cinema é 24 fps), criam a ilusão de movimento.

Por que 24 fps? Foi convencionado num misto de praticidade e necessidade. Menos de 24 gera um efeito não tão fluido. Ao mesmo tempo, é um número facilmente divisível: se precisassem calcular 1 segundo de filme, o editor sabia que eram 24 frames. Meio segundo? 12 frames, etc. Por economia, animações bem antigas tinham trechos com muito menos, como 8 ou 12 por segundo — no segundo caso, o trabalho da equipe seria reduzido pela metade.

Antes de começar, uma…

Breve introdução aos frames

Pra não ficar confundindo termos, daqui por diante vou desobedecer ao português e chamar os quadros de frames, ok? Quando falar em fps, você sabe que são “quadros por segundo”, ou “frames per second“.

Veja essa imagem animada (gif):

Horse in Movement, de Eadweard Muybridge, 1886.

Ela é formada por 15 frames, separados pelo intervalo de 0,066 segundo, ou 66 milésimos, o que dá 15 fps em 1 segundo de animação, já que 0,066 x 15 = 0,99 segundo.

Para 1 segundo, é uma taxa (ou cadência) baixa, por isso o efeito um tanto artificial, apesar de nosso cérebro aceitar perfeitamente que se trata de um cavalo correndo. Por décadas, a ilusão foi creditada só ao efeito conhecido como persistência retiniana, um curtíssimo período em que nossa retina fica impressionada pelos fótons, mesmo após não estar mais exposta. Assim, numa sequência rápida de imagens, ela “mesclaria” o fim de uma com o início da outra, antes de chegar ao cérebro para ser decodificado como algo contínuo.

Teoria da Gestalt ampliou nosso conhecimento — ou desconhecimento? — de como a mente funciona e cria o movimento, sendo incerto onde começa e termina o papel da retina num cavalo correndo em míseros 15 frames. Mas fato é que funciona.

Esses são os quadros do cavalo:

frames horse

Por causa do cinema, surgiu o mito de que não enxergamos mais do que 24 frames por segundo. Lembro de estudar desenho nos anos 90 e o curso de animação falava algo nesse sentido. Experiências já existiam, mas só recentemente diretores como Peter Jackson resolveram ir além. O Hobbit, desde Uma Jornada Inexperada, é filmado a 48 fps. Despertou estranheza em olhos desacostumados, e várias salas de cinema exibiram a versão a 24 fps por falta de tecnologia para reproduzi-lo. James Cameron considerou aderir aos 60 fps nas sequências de Avatar, mas vai ficar com 48.

Testes demonstraram que conseguimos identificar frames embaralhados (não sequenciais como no cavalo) muito mais breves: até 13 milissegundos, ou 0,013 segundo.

É muito, muito rápido. E a gente vê.

0dot013ms

Mais claro: veja aqui a diferença entre o movimento em diferentes frame rates. Note que ao tentar alterar o fps para mais que 60, você (provavelmente) receberá um aviso sobre a taxa de atualização do seu monitor. Os mais comuns estão a 60 Hz — ou seja, atualizam a tela 60 vezes por segundo. Logo, mesmo que você consiga gravar seu vídeo a mais que 60 fps, se for visto num monitor a 60 Hz, não serão perceptíveis mais do que 60 fps.

Vai ocorrer o efeito conhecido como screen tearing. Se mais frames do que o monitor pode exibir forem enviados para o vídeo, ele não terá tempo de exibi-los completamente, surgindo partes “incompletas” sobrepostas. A única vantagem é que movimentos rápidos podem parecer menos desfocados, porque mais etapas do movimento foram criadas e são exibidas, ainda que parcialmente.

Resumo da ópera: se quer atingir um público amplo com um vídeo de qualidade, e não busca por um efeito “cinematográfico”, é desperdício de recurso — tempo e espaço — gravar e renderizar a mais que 60 fps, essa é uma excelente cadência. Se quer um efeito mais parecido com o cinema, continue nos 24 ou 30 fps. No futuro, com monitores melhores circulando em quantidade, isso pode mudar.

Considerando nosso caso dos 60 fps, vamos adiante.

Como gravar a 60 fps

Seu dispositivo de gravação precisa suportar. Se o vídeo for gravado em 30 fps, não há santo que vá fazê-lo ter 60 depois de editado. Você pode inclui-lo numa edição, mesclar elementos e até trechos de vídeos gravados a 60 fps, e renderizar tudo em 60 fps. Depois de pronto, aquele trecho a 30 continuará tendo 30 fps perceptíveis. No máximo, o software criará dois frames iguais onde antes havia um. A não ser em programas de animação vetorial, tipo Flash — onde você pode selecionar o primeiro e o último frame, e com um clique o programa gera os demais — novos frames não serão criados.

Em câmeras portáteis, o ajuste fica nas configurações de vídeo, procure por “fps”, “frequency” ou “video”. Vejamos uma compacta Samsung PL120:

pl120 fps video

Ela não tem opção para 60 fps: mesmo na maior resolução disponível (1280 x 720), o fps máximo é 30.

Já numa semiprofissional Nikon P610:

P610 FPS VIDEO

Aqui sim, várias opções de vídeo em diferentes resoluções e FPS, inclusive 120 fps para vídeo a 480p.

Para vídeos de videogames, ele precisa ser gravado do jogo rodando em 60 fps. Se o game roda a 30 fps, não adianta captar a 60, nem renderizar a 60, o programa não “inventa” os frames que faltam, só repete.

Se seu jogo roda a 60 fps, certifique-se de ajustar as configurações do software de captura usado. Por exemplo, o FRAPS é um bastante conhecido:

fraps 60fps

Outro, o Bandicam:

bandicam fps

Renderizando a 60 fps no Camtasia

O Camtasia é um dos pacotes de software preferidos de amadores e até profissionais para captura, edição e renderização de vídeos para YouTube. Intuitivo e simplificado, o produto da Techsmith é alternativa simples e eficiente entre ferramentas como Sony Vegas e Adobe Premiere. As descrições a seguir são para quem conhece ao menos superficialmente suas funções e interface.

O problema, por enquanto, é que o Camtasia não tem suporte à captura ou renderização em 60 fps. A equipe de desenvolvimento disse que é prioridade para futuros releases.

Mas através de codecs de terceiros, é possível. Antes de mais nada, instale o QuickTime para Windows no seu computador. Instale também o codec EnSharp, da Techsmith. Instale-os e reinicie o computador, para ter certeza de que estará tudo em seu devido lugar.

Com seu projeto editado e pronto, clique no botão “Produce and share“.

camtasia produce and share

Na janela seguinte, escolha “Custom production settings“, e Avançar. Em “Other formats“, selecione “MOV – Quick Time movie“.

camtasia quick time mov

Na janela seguinte, clique no botão “QuickTime Options” para abrir a janela “Ajustes do Filme”. Ela tem duas partes, “Vídeo” e “Áudio.

ajustes do filme camtasia

Em “Vídeo”, clique em “Ajustes…”. Selecione o codec que foi instalado no começo (EnSharpen), ajuste o FPS para 60 e se quiser, altere a qualidade para máxima (100). Também pode ajustar a qualidade do áudio.

Deve ficar assim quando clicar em “Avançar…”:

camtasia config

Confirme e prossiga para iniciar a renderização. Se preferir, crie antes um preview para saber se o ajuste serve ao que você precisa (na tela seguinte haverá um botão “Preview“, que renderiza 10 segundos do vídeo). Se selecionar o modo de verificação em duas etapas, vai demorar bem mais.

camtasia rendering bar

O filme concluído terá o formato do QuickTime, .mov, mas pode ser enviado assim mesmo para o YouTube.

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Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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