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Como identificar fake news – dicas simples

A tecnologia é sua amiga na busca pela informação verdadeira. Na maioria dos casos, nem é difícil identificar uma notícia falsa.
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Nesses tempos de guerra digital, muita gente sem escrúpulos cria as famosas “fake news“, ou notícias falsas, para manipular massas. Eleições em especial são momentos de grande circulação de mentiras, com textos e montagens compartilhadas sem checagem.

E por que ninguém checa uma notícia ou imagem antes de repassar? Vamos combinar que algumas beiram o absurdo; o fake é tão mal feito que só sendo muito ingênuo — às vezes intencionado — para levar aquilo adiante.

Tem muito de ingenuidade, mas também o lado proposital.  Em 2016, a eleição dos Estados Unidos foi tão conturbada por notícias falsas, que o termo “pós-verdade” foi escolhida como Palavra do Ano pelo Oxford Dictionaries. Pós-verdade é a essência das fake news: moldar a opinião das pessoas com base na emoção e não necessariamente em fatos.

É abrir mão da verdade em nome de um “objetivo maior”. O fim justificando os meios.

Se você é do grupo analítico/crítico, que prefere a verdade do que o apelo mentiroso à emoção, seguem dicas para identificar fake news. Acredite: é mais fácil do que parece, com raras exceções.

Assim você não faz papel de idiota ou mau caráter nas redes sociais.

Absurdo tende ao irreal

O Google é uma ferramenta incrível. Com alguns termos digitados e um clique, milhões de resultados ficam à sua disposição.

Então por que você não a usa?! Leu um tweet, recebeu uma notícia que parece boa ou ruim demais? Engraçada ou triste demais? Tem um elemento de absurdo nela? Ato automático: copie parte do texto e jogue no Google.  Não encontrar o mesmo conteúdo em nenhum outro lugar, é forte indício de notícia falsa.

Não é determinante — afinal, pode ser notícia nova. Mas pense: tal informação espetacular, bombástica, estaria só no site ou blog X? Notícias se espalham rapidamente, indo do pequeno blog investigativo para os grandes portais como fogo em palha.

Google Images

Outra forma comum de fake news é a contendo imagem. Essas variam da Photoshopada básica às fotografias fora de contexto ou com falsa atribuição.

O Google tem uma excelente ajuda que é o Google Images. Para pesquisar uma imagem suspeita, clique e segure sobre a imagem (Android) ou clique com o direito do mouse e selecione “Pesquisar no Google Images” (ou opção semelhante como “Pesquisar imagem no Google”).

Nos resultados, você descobre se a imagem já foi usada em outros sites, e quando. Se um artigo diz que certa imagem é recente, e você a encontra num artigo de quatro anos atrás, já sabe: alta probabilidade de falsa atribuição. Não é conclusivo, já que o dono do site pode configurar a data errada de propósito, ou ser só uma imagem ilustrativa com texto real. Mas conferindo em várias fontes, vai se filtrando a verdade.

Exemplo clássico: uma famosa imagem atribuída ao guerrilheiro argentino-cubano Che Guevara, essa.

Ela circula no mínimo desde 2017, acompanhada de texto dizendo que Guevara está executando mulheres contrárias ao regime de Fidel Castro em Cuba.

Se pesquisá-la no Google Images, você descobre muitos resultados. Entre eles, que a foto faz parte de uma galeria sobre a guerra civil de El Salvador, na década de 80. Quase 15 anos após a morte de Che Guevara.

Mas tem vários outros sites que dizem ser Che Guevara, e ele disse que faziam fuzilamentos em Cuba“.

Aí é onde entra seu bom senso. De fato, pena de morte era parte da guerrilha e do regime em Cuba, mas é impossível atribuir essa imagem específica a Guevara. Já viu como a maioria das fotos de fake news são inconclusivas? São rostos difíceis de identificar, pessoas de costas, etc. A foto em questão não tem nada além de um homem com roupa militar e boina, sem traços pessoais que garantam a identidade. Pode ser Che Guevara em Cuba, Fulano na Guatemala ou Beltrano na Iugoslávia.

Logo, seria fake news compartilhar garantindo que é Guevara. (A pesquisa levando à ocorrência mais antiga dessa foto: uma galeria sobre a guerra de El Salvador, publicada em 2011).

Google com filtro de tempo

Informações inverídicas são facilmente detectados pela pesquisa do Google com filtro temporal.

Digamos que você recebeu um texto pelo Whatsapp garantindo que o Brasil ganhou da Alemanha por 4 x 0 na Copa de 2014. Será verdade?!

Abra o Google, pesquise termos relativos à busca, e no alto da página…

…altere aí a data. Vamos filtrar só publicações daquela época. Clique em “Intervalo Personalizado”. Como sei que a Copa foi na metade do ano, forneço um período abrangente.

Pesquise clicando em “Ir”. Pronto, está lá o resultado. Foi um exemplo simples, mas poderia ser qualquer coisa limitada a um período de tempo.

Agora imagine as possibilidades! Você pode filtrar períodos mais e mais antigos para uma citação de um político, por exemplo. Ou descobrir como foram as manchetes de épocas específicas. Uma verdadeira máquina destruidora de fakes.

Considere a fonte

A fonte de uma notícia diz muito sobre ela. Ao ver um post se derretendo em elogios ao seu ponto de vista, você pode até gostar daquilo. Mas como diz o ditado, há mentiras confortáveis. Questione-se: será real, ou foi feito com objetivo de favorecer (ou prejudicar) alguém?

Há incontáveis sites, grupos, páginas, perfis e até portais de mídia que não escondem seus posicionamentos. Nestes casos, é obrigatório que você faça a busca pela notícia em outras fontes. Se as informações batem em várias de visões diferentes (não procure só dentro da sua bolha de opinião), aumenta a chance de ser real.

São como referências cruzadas: se o fato foi noticiado em vários sites, incluindo grandes portais, é mais provável de ser real (embora a mídia tradicional também dê bolas fora).

Observe também o endereço do site. Alguns tentam se passar por outros. Exemplo: você confiaria mais na notícia de um site que tivesse o termo “folha” no endereço, ou “blogdojuquinha”? Aposto que na primeira. Por isso há tantos sites disseminadores de fake news se passando como parte de portais famosos. Daí surgem coisas do tipo “folhapolitica”, “folhamoderna”, “folhaalerta”, “folhajustica”, etc.

Ao ler um artigo, confira o autor. Fake news costumam ter autoria desconhecida, ou de perfis falsos. Pesquise o nome da pessoa, pesquise sua imagem. Os sites também não divulgam nada sobre si, como diretores, endereço físico, e alguns nem e-mail próprio tem, usando contas Gmail e Hotmail. Mau sinal.

Leia tudo, não só a chamada

Muitas fake news se “aproveitam da sua nobreza” ao mandar um título apelativo. Mas ao ler o conteúdo, você descobre que não é nada daquilo. Como muitos não leem e tem pressa de compartilhar — reação natural, todo mundo gosta de parecer bem informado —, acabam compartilhando mentiras.

Se a notícia aponta um link para conferir o resto, não tenha dúvida: siga-o e veja do que se trata. Só depois de ler tudo, considere outras características para saber se é fake ou não.

Algumas são bem convincentes, usando tons imperativos como “Não acredite? Então pesquise”. O autor da notícia falsa sabe que a maioria vai acreditar, e portanto, não vai pesquisar.

Regra de ouro: questione!

A capacidade de duvidar mesmo das opiniões mais favoráveis é a chave para identificar e acabar com fake news. Viu algo que precisa compartilhar agora mesmo? Engatilhe mentalmente a pergunta “Será que é real?”, e comece a buscar como mostrado antes.

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Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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