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10 dos Piores Erros em Comentários (e Moderação) nos Blogs

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A essência dos blogs são os comentários. São eles, como um canal direto de participação do leitor no conteúdo, que tornam esse tipo de publicação tão única e diferente dos tradicionais sites “estáticos”. Uma ferrramenta que pode ser usada para o bem – caso de tantos blogs educacionais, informativos e de lazer de qualidade que existem – quanto o mal.

Parte desse mal está na falta de educação no uso da área de comentários. Infelizmente algumas pessoas não sabem viver em sociedade: nem na vida “real”, menos ainda na virtual, onde pensam que podem falar o que quiserem (ao pé da letra, até podem) sem ouvir algo parecido de volta ou lidar com maiores consequências – e aproveitam para ofender, difamar, criticar sem argumento e até praticar crimes graves.

Não bastassem esses, ainda temos de lidar com os danos menores, como linguagens de tribo, vendedores “spammerzando” (mistura de spam com infernizando) sua vida e leitores-patrões.

No outro lado da moeda estão os blogueiros. Basta ter um pouquinho de sucesso e “meia dúzia” de comentários, e já se sentem os donos da verdade, não aceitam mais críticas (falo aqui das construtivas); assumem então o papel de moderador-carrasco, apagando, editando e reprovando qualquer comentário que ouse tocar nos seus egos.

1. Trolls

O mais velho e conhecido problema, o terror das áreas de comentários e fóruns. Adoram procurar blogs populares, ou mesmo usar redes sociais para postar observações absurdas, racistas, mentirosas, ou qualquer asneira que irrite e desequilibre a discussão. Nem sempre estão falando sério, só querem mesmo causar o caos e tirar alguma diversão disso.

A isca está lançada; a partir daí, as respostas são seu “lazer” ao ver o circo pegando fogo, e como bom palhaço fica assistindo e ocasionalmente colocando mais lenha pra queimar. Felizmente é também um problema bem fácil (relativamente, já que nem todo mundo aguenta) de resolver: sem atenção, eles desistem de agir no local e ainda passam por bobos.

Troll é o que mais tem na internet
Troll é o que mais tem na internet. Dê atenção e acabou o diálogo

2. Moderação ditadora

Foi o que me rendeu a ideia de escrever esse post, depois de ter um comentário crítico, mas respeitoso, recusado no site da FIFA. Mas não é só em sites e blogs de grandes corporações que vemos censura sobre comentários: basta crescer um pouco e alguns blogueiros passam a eliminar qualquer expressão que contrarie sua opinião ou práticas.

Isso é pra mim a coisa mais detestável que um autor pode fazer, já que elimina o diálogo e torna o blog mais próximo dos velhos sites, mas ainda pior, já que finge ser aberto. Se não quer ouvir opiniões contrárias, feche a área de comentários do seu blog, é muito mais digno e honesto. Ou deixe bem claro que seu blog não aceita dialogar e vai eliminar qualquer opinião diferente da sua.

Esses “pseudo-blogs” de grandes marcas são igualmente odiosos, já que levam o usuário a acreditar que têm um canal de comunicação verdadeiro, quando na verdade estão sendo iludidos e manipulados. Só comentários favoráveis à marca são publicados, às vezes pior: é bem fácil notar quando inúmeros falsos comentaristas enchem o post de elogios, todos feitos pela mesma pessoa – geralmente um funcionário da empresa.

3. Assuntos bizarros

Imagine a situação da vida real: você está numa roda de amigos conversando sobre um assunto, então alguém chega e abruptamente enfia outro tema que não tem absolutamente nada a ver. Desagradável, não?

Pois é exatamente o que alguns comentaristas fazem em blogs: numa postagem sobre como baixar filmes, comentam para perguntar quanto custa publicar um artigo. Ou num artigo sobre como comprar ingresssos, perguntam como o autor fez pra página ficar com aquela cor de fundo.

Não é que eu seja intolerante ou chato, mas publicar perguntas certas nos lugares certos mantêm a organização e facilita a vida de todos. Devemos pensar bem antes de comentar. Se eu tiver alguma pergunta sobre certo assunto que não for nem superficialmente relacionado com o post, é melhor fazê-la via e-mail.

4. Não leu = pergunta repetida

Também bastante comum em posts muito populares. O autor já falou sobre o assunto no corpo do artigo, repetiu uma vez nos comentários, repetiu de novo, e sempre tem alguém que, com preguiça de ler a discussão toda ou reler o artigo (se é que leu), continua fazendo as mesmas perguntas.

Antes de comentar para perguntar, é importante ler e reler o artigo para ter certeza se entendeu e a dúvida já não foi esclarecida. Ficar chamando a atenção do autor nos comentários não costuma resolver, só chateia todo mundo.

5. Publicidade mascarada (ou sem máscara mesmo)

Vamos falar das notícias do dia… mas antes, um tempinho pra falar da câmera 20 em 1…

É quase isso que imagino quando vejo gente que só comenta pra fazer anúncio. Alguns ainda se dão ao trabalho de construir um comentário decente (eu não nego que também tenha feito isso quando comecei) mas com o objetivo principal de anunciar o blog, mas outros são descarados/preguiçosos, e publicam coisas assim:

Comentário em blog - fora do lugar

O detalhe é que o artigo em que foi postado não tinha nada a ver com música. Além de absurdo, o potencial de um “anúncio” desses em alcançar alguém interessado é mínimo.

Isso é só um exemplo. Você já deve ter visto coisas bem mais estranhas, como eu vi por aí.

6. Papos tribais, CAPS, letras coloridas…

Ainda que seja tolerável dependendo do foco do blog, comentários escritos em linguagens que nem todos entendem não são legais, já que excluem alguns da conversa e dificultam a comunicação. Coisas como o velho “miguxês” do tempo dos emos felizmente diminuiu, mas teve seu período pra infernizar a vida dos moderadores. Ainda hoje ficaram resquícios:

Olah, eu naum intendih nahdaa, tah confuhzo neah??? Aff, daah pra isplicaah di nohvo?!?

Se não tem acentos, que deixe sem, fica bem mais bonito e legível do que enfiar o bendito H em todo lugar. Tolerância com erros gramaticais e ortográficos tudo bem, ninguém é obrigado a escrever bem pra se comunicar, mas assim é demais. Deixe isso pro chat com os amigos; quando estiver falando num local público como a seção de comentários de um blog, é melhor ser “normal”.

Outra coisa chata é quem insiste em chamar a atenção com MAIÚSCULAS PRA APARECER MAIS QUE OS COLEGAS, ou usar texto em negrito, colorido, ou ISSO TUDO COMBINADO. Fica muito feio, evite. Há moderadores que editam ou até eliminam comentários assim.

7. “Me responda via e-mail”, ou “me add MSN”

Essa é até engraçada. O comentarista leu o artigo, não entendeu ou não conseguiu fazer o que foi explicado, e em vez de discutir ali mesmo, pra ajudar outros leitores, ele pede pro autor ou algum colega ser seu “consultor exclusivo” via e-mail ou no MSN?

Por favor, tomemos mais “simancol”. Se eu tive dificuldade, não vou passar a responsabilidade disso pra ninguém; ele ou outros leitores não devem dar-se ao trabalho de fazer atendimento personalizado (a não ser que eu esteja pagando). Não tem o mínimo cabimento. Normalmente esses comentários são até apagados.

Quando temos dúvidas, a melhor coisa é perguntar ali mesmo nos comentários e esperar a resposta. Talvez outros leitores tenham a mesma dúvida e aquela discussão seja esclarecedora para muitos.

8. Cobrança exagerada

É incrível a capacidade de algumas pessoas em ser cara-de-pau. Se estou num blog de conteúdo grátis, usando sem qualquer custo o que o autor publica, como posso exigir que ele faça alguma coisa?

Pois tem muita gente que comenta em blogs em tons autoritários ou desesperados, pedindo postagens, correções ou respostas rápidas. Quem já viu?

Ei, o link está quebrado. Corrija o link, rápido.

kkkkk que viagem, o segundo parágrafo está errado… esses estagiários…

Não entendi como aplicar o filtro. Me responda depressa no email [email protected]

ORAS, como assim “corrija o link, rápido”? Não sabia que tinha arrumado um patrão. Claro que é do meu interesse corrigir o link rápido, mas não precisa chegar exigindo.

A segunda afirmação está virando moda: não se pode cometer um único deslize, e o pessoal já começa a infernizar o coitado do autor, menosprezando seu trabalho como um todo e o chamando de “estagiário”, como se isso fosse sinônimo de burrice. Basta um erro de digitação que escape da revisão e pronto, o post perde a importância e só se comenta o erro – em redes sociais então, é pior ainda. Em vez de ridicularizar, corrigir educadamente e absorver o conteúdo com certeza é mais útil pra todos. Paremos de perder tempo com “mimimi” sobre digitação.

A terceira frase fictícia também cabe no item anterior. Além de ser consultor exclusivo, aindo tenho que fazer isso bem depressa. “SIM SENHOR SARGENTO SENHOR”.

Sr. Misterioso e ofensivo nos comentários
Sr. Misterioso e ofensivo nos comentários

9. Crítica sem fundamento

Criticar é muito saudável, já que ajuda o blog a crescer e melhorar onde é necessário. A questão esbarra, como sempre, na falta de educação de algumas pessoas, que confundem crítica com deboche, grosseria e recalque.

Comentários como “artigo de mer**“, “só falou asneira, informe-se melhor” ou “X é melhor que Y” são tão inúteis que não valem nem o tempo que o autor levou pra escrever. Se o dono do blog elimina comentários assim, não adianta espernear e chamá-lo de tirano, até porque faltou argumento, coisa que muitas vezes é exigida pelas políticas de comentários dele (coisa que, aliás, poucos se dão ao trabalho de ler antes de criticar).

Leia também → Páginas Indispensáveis Em Um Blog

Por exemplo, eu recusaria um comentário:

Você só fala mer**

…mas deixaria um como:

Você só falou mer**. No primeiro parágrafo tem o erro tal, e no segundo confundiu X com Y.

Percebe a diferença? Ainda que o tom seja agressivo (e inconveniente), está deixando claro o que gerou essa opinião. Isso abre caminho para uma discussão (talvez) saudável.

10. Anonimato

Não por coincidência, a maioria dos comentários grosseiros, mentirosos ou mal elaborados vêm de autores anônimos. A possibilidade de soltar seus cachorros em cima dos outros e ficar ileso na sua cadeira torna muito covarde em “valente” da internet.

É fato que muita gente prefere comentar como “Sr. Misterioso” por preguiça ou falta de tempo de criar cadastros, ter uma conta no Gravatar ou qualquer serviço que o identifique, mas é sempre preferível que, para manter um diálogo mais honesto e confiável, ambas as partes estejam devidamente “apresentadas”.

Comentários mais simples, como perguntas ou elogios, até são toleráveis quando feitas por anônimos, mas críticas mais elaboradas deviam estar sempre acompanhadas por nome, avatar e url.

Enfim, esses são alguns pontos delicados que lembrei de citar sobre comentários. Se tiver algo a acrescentar, comente.

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Fundador do Tutoriart em 2010, é ex-instrutor de Photoshop, design web e gráfico. Em quase uma década de redação online, tem cerca de 1500 artigos publicados. Gerencia também o Memória BIT.

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