Por Que o Photoshop é Tão Caro, e Programas Similares Grátis

Por , em 06/04/2011
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A grande reclamação dos fãs do Photoshop, não só brasileiros, não é relacionada a nenhum filtro, recurso técnico ou dificuldade de uso, mas sim com o preço.

Ter em casa uma versão legalizada do programa, em sua versão completa, pode custar quase o equivalente a quatro salários mínimos, o que seria um absurdo se comparado ao preço no mercado de origem, onde chega a menos de um salário mensal*. Mas será que o preço é mesmo tão caro, ou o investimento de várias centenas de Reais em um aplicativo vale em comparação com as vantagens que a ferramenta oferece?

Afinal, o que faz o preço praticado pela Adobe no seu software mais conhecido e mais usado no mundo ser tão elevado em mercados externos? Como diria o "poeta": o Photoshop é caro ou nós é que somos pobres e sovinas?  :D

Nota: antes de continuar, quero deixar claro que não recebo nada para fazer propaganda dos produtos Adobe, nem sou advogado/entusiasta de software livre ou pago. O que está escrito nesse artigo é fruto de pesquisa, somado com algumas opiniões pessoais. Leia, tire suas próprias conclusões e seja feliz!

Custo

Como quase todos devem saber, o Photoshop é produzido pela Adobe, uma multinacional com sede em San Jose, na Califórnia. Tem presença em mais de 120 países, com quase dez mil funcionários, entre engenheiros, desenvolvedores, equipe de testes, funcionários de fábrica, etc. Não é de se espantar que uma empresa de tal porte tenha, assim como lucros, muitas despesas, mas será que isso é suficiente para explicar o preço tão disparatado no Brasil (e em outros países também) em relação ao Photoshop vendido nos Estados Unidos?

No lançamento, a versão completa (Extended) do Photoshop CS5 podia ser encontrada, nos Estados Unidos, por US$999,00, enquanto no Brasil a mesma versão não saía por menos de U$1500,00! Embora a edição regional - em português - seja ligeiramente mais barata, a disparidade de preços ainda é enorme.

O problema não acontece só aqui. Na França, por exemplo, o absurdo era ainda maior: €1400,00. Essa diferença exorbitante de preços praticados fora dos Estados Unidos tem sido causa de muitas críticas a Adobe. A explicação de representantes da empresa para isso seria a alta taxação de cada país para produtos importados, de tecnologia, etc.

Outra razão (e essa realmente compreensível, no meu entendimento) seria que a versão Extended, citada no exemplo, é indicada aos profissionais como designers, fotógrafos e empresas do segmento, cujo investimento traria retorno futuro, compensando portanto o alto valor pago na ferramenta.

O que grande parte do público não leva em conta, até pela enorme popularidade que o software conseguiu, é que o Photoshop não é apenas mais um programa de entretenimento e diversão (embora possa ser), e sim uma ferramenta profissional completa. Do mesmo modo que uma máquina de costura ou um fogão industrial são bem mais caros que os seus similares voltados ao uso doméstico, o preço do Photoshop também é mais alto, por envolver muito mais pesquisa, trabalho, resultando em um produto final mais completo que qualquer outro.

Ou seja: se você não ganha dinheiro utilizando o Photoshop e não vai usar os recursos avançados da versão Extended (poucos designers, mesmo profissionais, realmente o fazem), pode ter tudo que precisa nas "domésticas", como o Photoshop Elements, que tem só os recursos básicos do programa, e que foi projetado exatamente para esse tipo de consumidor.

Vamos considerar: R$199,00 não é um valor tão absurdo se você realmente quer ter um Photoshop.

Página do Photoshop Elements 9

Você Precisa da Versão Mais Cara? Tem Certeza?

A diferença entre o Photoshop Extended e o Elements, em preços, é gritante: a versão "leve" sai por cerca de R$200,00, contra os mais de US$1000,00, hoje, da completa. Esse preço baixo é parte da estratégia da Adobe de combate à pirataria e popularização do software, já que o pacote profissional é quase "impagável" para usuários casuais.

A principal diferença entre as duas está no uso de ferramentas avançadas, como 3D e edição de vídeo - que boa parte dos usuários médios acabam por sequer conhecer, pois só fazem ajustes como remoção de olhos vermelhos, correções de tons de pele e iluminação. Nesses casos, a aquisição de um software tão caro realmente não faz o mínimo sentido, a não ser que você pretenda tornar-se profissional num futuro bem próximo (já que uma nova versão pode ser lançada antes que você aprenda a usar todos os recursos da atual).

É o mesmo caso visto na venda de hardware: leigos acabam sendo seduzidos pela lábia do vendedor promoção a levar a máquina mais poderosa da loja, com uma super placa de vídeo, 8 Gb de memória, 4 Tb de disco rígido... e no final, só vai editar textos e navegar na internet, desperdiçando milhares de Reais com a depreciação que virá ao longo do tempo, durante o qual ele jamais usará nem metade do "poder de fogo" do equipamento.

Atualizações

Outra reclamação de alguns usuários são as frequentes atualizações. "Mal acabei de comprar o Photoshop original e já saiu outro, deixando o meu desatualizado". Se notarmos as diferenças entre a versão CS4 e CS5, podemos sim dizer que muitas ferramentas foram melhoradas e algumas surgiram, mas afirmar que uma versão fica inutilizada pela chegada de outra é pura bobagem. Esse tipo de reclamação normalmente é feita por aqueles que querem se sentir sempre atualizados, mesmo que não utilizem nem 50% do material que tem em mãos.

A preocupação não deveria ser tão grande no caso de uma atualização surgir logo depois que você comprar o Photoshop, até porque a Adobe oferece descontos para quem pretende migrar de versões mais antigas para a atual (isso se você quiser e precisar da atualização). Por melhores que sejam as ferramentas da versão nova, dificilmente elas são tão fundamentais que a troca de Photoshop seja urgente.

A prova disso é que ainda são usadas versões desatualizadas em escolas de informática, escritórios de design de pequeno porte e por free-lancers pelo país afora. Eu mesmo aprendi a usar o programa com a versão 6, quando a mais recente no mercado era a CS2 (ou seja, com três atualizações de atraso), sem nenhum grande prejuízo.

Alternativas

Se ter o Photoshop original está fora de questão e a Elements não é do seu agrado, há alguns recursos a se considerar, como os programas gratuitos de edição. Entre os mais conhecidos:

Visite a página do Gimp

Gimp: programa de código livre que, segundo os desenvolvedores, conta com mais de 90% das funcionalidades do Photoshop, além das próprias, e que vem "roubando" muitos usuários do Photoshop há alguns anos, graças a uma grande comunidade, incluindo fóruns de ajuda em português.

Minhas experiências com ele não foram das melhores por ter todos os "cacoetes" do Photoshop, mas faz bastante tempo que usei e acredito que tenha melhorado muito. Vale a pena experimentar.

Visite a página do Paint.NET

Paint.NET: projeto que surgiu como um desenvolvimento do Painter, editor básico de imagens do Windows e acabou crescendo.

Visite a página do PhotoPlus

PhotoPlus: tem as principais ferramentas para edição de fotografias.

Por mais que os defensores de software livre enalteçam as virtudes e até proclamem que cada um deles é melhor que o Photoshop, a verdade é que esses programas gratuitos não conseguiram ainda reproduzir na totalidade os recursos do Photoshop em sua versão Extended. Se assim fosse, todas as empresas de design já teriam deixado de gastar milhares de dólares pagando licenças a Adobe e usariam apenas os gratuitos (é verdade que algumas já fizeram isso como apoio ao software livre, mas são minoria).

Mesmo assim, são ótimas opções até para trabalhos profissionais, caso você não tenha dinheiro pra investir, às vezes até mais completos que o Photoshop Elements.

Quanto mais força o software livre tiver, maior será a concorrência, quem sabe levando a Adobe a baratear seus produtos ainda mais num futuro próximo?

Comprar Ou Não Comprar?

Se você não tem grandes pretensões com o Photoshop, como estudá-lo a fundo e/ou criar peças profissionais, e quer só retocar ou "cropar" as fotos do fim de semana e fazer montagens por diversão, comprar a versão Extended seria um enorme desperdício. O programa terá recursos que nunca serão usados por um usuário com pouca experiência.

Por outro lado, se você já estuda ou trabalha, mesmo que de forma autônoma, com design gráfico, considere o valor do software original não como um gasto, mas um investimento que provalvelmente valerá cada centavo.

Só uma dúvida permanece e apenas a própria Adobe pode explicar: por que o preço tão mais elevado do Photoshop fora dos Estados Unidos? Será mesmo só a questão da taxação? :(

Fontes

* Baseado no salário anual nos Estados Unidos, de US$$15080,00, ou cerca de US$1256,00 por mês.

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